terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Moradores do sítio Poços de Teixeira se reúnem com lideranças e representantes políticos da região, para debater a falta d’água no setor

Moradores do assentamento do sítio Poços de Teixeira no sertão do estado, se reuniram na manhã desta terça 01/12, na Sede da associação comunitária da referida localidade, onde contaram coma as presenças de lideranças e representantes políticos dos municípios de Cacimbas, Desterro, Maturéia e Teixeira.

Mais de 70 pessoas participaram da reunião e se mostraram contrários à retirada de água do Açude João da Mata, mesmo que seja através de carros pipas para outros municípios, exceto Teixeira, desde que seja de forma controlada de acordo com os critérios estabelecidos. Na avaliação do líder da comunidade, o senhor Francisco, vulgo Preto, a decisão se faz necessário, por conta da pouca quantidade de água existente no manancial.

O vereador teixeirense, Valone Dias, auxiliou na mediação dos debates e saiu em defesa dos mais de mil moradores que ali residem e dependem basicamente daquela pouca água restante, para se manter no lugar. Segundo o parlamentar, o povo precisa se organizar e de forma unida defender seus interesses de modo coletivo.

O manancial vem sofrendo com a evaporação e o consumo exagerado de água desde 2010, revelou um morador, no tocante ao abastecimento de outras cidades da região que também sofrem com os efeitos da seca prolongada, principalmente Maturéia, que chegou a retirar em média 200 carros pipas de água por mês.

O desespero aumenta a cada dia ao ver a água desaparecendo rapidamente e sem ter boas previsões de inverno para os próximos meses, dessa forma, o popular que atende pelo prenome de Dada, mobilizou as comunidades de Poços e São Francisco, colheu assinaturas e decidiram em assembleia pública proibir que outros municípios retirem agua de lá, até que volte a encher novamente.

“A situação é de desespero, não adianta descobrir um santo para remediar outros, tem pessoas que não se deram conta da gravidade do problema e usa a água de forma indiscriminada, outros irresponsavelmente comercializam o líquido precioso sem pensar nas consequências que são inevitáveis, por isso somos contra a instalação de adutora pra Teixeira e agora também nos sentimos obrigados até de proibir os carros pipas, mesmo que seja decisão da justiça, vamos lutar e resistir”, afirmou um morador.

O representante da CAGEPA- Teixeira, Jones, falou sobre a análise já realizada no manancial e um estudo técnico para saber a possibilidade de se construir a adutora, o que foi rebatido pelos moradores. Ao fazer o uso da palavra a primeira Dama Loura, representante do prefeito Nego de Guri, disse que esta probabilidade está fora de cogitação, por conta do colapso que se encontra o município.

“Na época como o açude estava cheio, o prefeito tinha a intenção de realizar a obra da adutora anunciada, mas recentemente em conversa com o mesmo, ele entendeu que o momento é inviável. O que nós temos de fazer é se unir mais e realizar manifestos fechar as BRs, para chamar a atenção das instâncias superior, quanto aos problemas para que estes se sensibilizem e acelerem as obras da transposição do Rio São Francisco”. Ressaltou ela.

A prefeita de Desterro Rosângela de Fátima, pediu bom senso por parte dos presentes na tentativa de se compreender a problemática e juntos descobrirem soluções, ela ainda elogiou a iniciativa dos moradores e agradeceu aos mesmos pelo tempo que permitiram que ela retirasse água do referido açude para abastecer sua cidade.

“Vocês estão certos em se unirem para defender o pouco de água que resta para suas manutenções, se a população de Desterro também tivesse se mobilizado para preservar nosso açude, talvez ainda hoje não estivéssemos sofrendo tanto, como estamos agora sem ter onde pegar água”, revelou a gestora em tom de agradecimento e desespero.

O ex-prefeito de Cacimbas, o senhor Geraldo Paulino que foi representando o prefeito Léo Terto, reconhece a situação de calamidade e falou de suas preocupações em relação à falta de água na região, segundo ele, o problema se agrava ainda mais, por não ter águas suficientes em outros lugares próximos para dar suporte aos demais municípios castigados pela seca. Geraldo agradeceu aos organizadores da reunião e recomendou o uso racional da água por parte dos moradores, já que os meteorologistas alertam para mais um ano de chuvas abaixo da média normal, por conta do fenômeno el niño.

“Nos sentimos impotentes e de braços cruzados diante dessa seca, bate um desespero grande, onde a vontade é só de chorar, pois não é fácil ver os bichos brutos morrendo e se continuar nesse ritmo vai morrer até gente de sede, o lugar mais perto para se pegar água de forma limitada é Tavares, distante a 300 km, sendo ida e volta, para os municípios que não dispõem de verbas próprias, o problema se agrava ainda mais”, desabafou Geraldo Paulino.

O pastor Urbano e o secretário de agricultura de Teixeira, falaram das lutas daquele povo e criticaram a demora na conclusão das obras da transposição das águas do São Francisco para as regiões mais atingidas pela seca. Eles destacaram a importância das lideranças terem participado dos debates e falaram das políticas públicas do abastecimento feito nas comunidades rurais pelo Exercito.


                                                                                    Por: SECOM/PMC.

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