quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Polícia Civil faz busca e apreensão na Multiclick, suspeita de pirâmide



A Polícia Civil de Balneário Camboriú (SC) apreendeu carros e documentos da Multiclick, num inquérito que apura os crimes de lavagem de dinheiro e estelionato. A empresa também é investigada como possível pirâmide financeira que atraiu cerca de 300 mil pessoas.

Com a medida, são ao menos cinco os negócios que, apresentados como marketing multinível, foram alvos de apreensão ou bloqueio de bens em 2013. Contra todos eles, pesam suspeitas de serem disfarces para a constituição de pirâmides – fraude em que os investidores mais antigos são remunerados com o dinheiro dos mais novos.

No caso da Multiclick, os interessados tinham de pagar taxas de adesão de R$ 600 a R$ 2.750. A promessa era de lucrarem de R$ 160 a R$ 800 por mês por meio da colocação de anúncios na internet e da atração de mais gente para a rede.  Em entrevista ao iG   publicada em 18 de julho, o ator Sandro Rocha, do filme "Tropa de Elite 2", disse ter trocado a Telexfree pela Multiclick. Ele retornou ao recado deixado em seu celular nesta segunda-feira (11).

“Minha sogra conseguiu tirar R$ 800, e investiu R$ 5 mil. Minha tia investiu R$ 2.750 e não tirou nenhum centavo”, conta Alexandro Ferreira de Medeiros, de Natal (RN), que diz ter R$ 2.500 a receber da empresa.

'Empresa legal'

O modelo colocou a Multiclick na lista de negócios alvo de uma força-tarefa antipirâmides constituída de promotores de Justiça e procuradores da República. A defesa da Multiclick chegou a tentar evitar bloqueios judiciais, à semelhança do que ocorreu as outras quatro empresas já questionadas. Os pedidos, feitos à Justiça Federal em Santa Catarina e no Rio Grande do Norte, não foram aceitos.

Num vídeo disponível desde julho na internet, o diretor da empresa, Wagner Alves, chegou a pedir que os investidores divulgassem que "a Justiça decidiu que a Multiclick Brasil é uma empresa legal e deve continuar as suas atividades normalmente, tranquilamente".

Segundo Alexandre Medeiros, de Natal, o site da empresa – por onde os investidores acessavam suas contas – saiu do ar há cerca de duas semanas. Os canais de atendimento da empresa não têm dado resultado. "Por telefone você não consegue, por e-mail não respondem. Por chat, pior", conta. "O presidente foi enrolando, prometeu que em 25 de outubro eles iam pagar todo mundo. Mas não pagaram nada."

A Promotoria de Justiça de Florianópolis, responsável pelo inquérito civil em que a Multiclick é investigada por suspeita de pirâmide, não comentou as informações, com argumento de que o processo tramita sob segredo de Justiça. O advogado da empresa não retornou ao contato feito pelo celular.

Inquérito criminal

A busca e apreensão contra a Multiclick ocorreu na sexta-feira (8) e foi determinada no âmbito da investigação criminal contra a empresa e seus sócios, conduzida pela Delegacia da Comarca de Balneário Camboriú, onde a empresa tem sede. De acordo com Márcio Colatto, delegado responsável pelo caso, ninguém foi preso, e o paradeiro dos sócios é conhecido. Colatto orienta quem investiu na empresa a procurar a polícia. “A orientação é registrar a ocorrência e juntar cópia dos documentos que têm.”

Por: Vitor Sorano - iG São Paulo

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